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VITÓRIA 87FM

Vistoriadora, servidores e despachantes são presos suspeitos de fraudar transferências de carros em Goiás....

06 NOV 2018
06 de Novembro de 2018
Segundo Polícia Civil, eles simulavam vistoria de forma que carros clonados ou adulterados mudassem de dono de forma 'legal'. Operação Simulatio cumpre 18 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão em 14 cidades goianas.Uma vistoriadora de veículos, servidores e despachantes foram presos nesta terça-feira (6) em uma operação contra a simulação de vistorias de 1,5 mil veículos em Goiás. Segundo a Polícia Civil, isso permitia que carros clonamos e adulterados fossem transferidos de dono e pudessem circular legalmente.

“Tinham despachantes que davam iniciam à transferência, a vistoriada que simulava a vistoria e inseria dados no sistema e o servidor que concluía a transferência”, explicou o delegado Cleybio Januário, responsável pelo caso.

A Operação Simulatio cumpre 18 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão em 14 cidades goianas: Abadia de Goiás, Cabeceiras, cidade de Goiás, Formosa, Itaberaí, Itapuranga, Mundo Novo, Nova Crixás, Nova Veneza, Ouro Verde de Goiás, Águas Lindas de Goiás, Aparecida de Goiânia, Planaltina e Guapó.

A Polícia Civil não divulgou o nome completo dos envolvidos. O G1 não conseguiu localizar a defesa dos detidos na força-tarefa.

A investigação da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores começou após as gerências de auditorias e fiscalização do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) constatarem aumento nas vistorias aprovadas ma cidade de Mundo Novo. Todas eram realizadas pela mesma vistoriadora, que era comissionada.

“Em oito meses, mais de 1,5 mil visitarias foram realizadas em um município que tem uma frota de 2 mil veículos”, destacou a gerente de auditoria, Luciana Gomes.

De acordo com a servidora, como tinha acesso ao sistema, a vistoriada simulava a vistoria de veículos que seriam transferidos em outros 14 municípios, o que é irregular. Uma portaria do Detran termina que a análise do carro seja feita no mesmo local em que haverá a mudança nos documentos.

Em depoimento à Polícia Civil, a vistoriadora confessou a simulação das vistorias. “Ela disse que, por ter essa possibilidade na função dela, ela começou a receber propostas e acabou fazendo as simulações”, afirmou o delegado Cleybio Januário.


Em depoimento à Polícia Civil, a vistoriadora confessou a simulação das vistorias. “Ela disse que, por ter essa possibilidade na função dela, ela começou a receber propostas e acabou fazendo as simulações. Ela recebia pequenos valores de cada vistoria, 50, 100, 200 reais e, às vezes, era até dividido”, afirmou o delegado.

Foram detidos outros oito servidores que atuavam como atendentes de Circuncrições Regionais de Trânsito (Ciretrans), sendo oito comissionados. Eles alegaram ao Detran que não sabiam da fraude. De acordo com Luciana, mesmo que desconhecem as simulações, eles transgrediram as regras porque aceitaram a vistoria de outra cidade, no caso, Mundo Novo.

Envolvidos
Os despachantes detidos por suspeita de envolvimento no esquema era credenciados ao Detran e eram os responsáveis por dar início ao processo de transferência dos veículos. Os donos dos automóveis não serão investigados.

“Não temos elementos para alegar qualquer crime dos proprietários porque poderiam entregar para os despachantes e os despachantes que pediam a simulação”, afirma o delegado.

De acordo com o Detran, os oito servidores comissionados foram exonerado. Já o funcionário concursado está afastado de suas funções. Os nove respondem a processo administrativo. Os despachantes investigados também foram bloqueados no sistema do Detran.

Segundo Luciana, os 1,5 mil automóveis que tiveram a vistoria simulada estão bloqueados. Para que ocorra a regularização, eles devem passar pelo procedimento no município em que houve a transferência. Cada vistoria custa R$ 150.

Criminalmente, os investigados podem ser indiciados por inserção de dados falsos, associação criminosa e corrupção passiva. As penas, somadas, podem resultar em até 10 anos de prisão.


Por Paula Resende e Murillo Velasco, G1 GO....
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