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VITÓRIA 87FM

TONY RAMOS VOLTA À TV E DIZ POR QUE PRESERVA A VIDA PESSOAL: "BASTA PARA NÓS"Ator, que está no elenco de 'O Sétimo Guardião', é casado com Lidiane Barbosa há quase 50 anos. ...

04 NOV 2018
04 de Novembro de 2018
Tony Ramos é unanimidade no meio artístico. O ator - de 70 anos - é sempre elogiadíassimo por todos os colegas de trabalho, que o descrevem como 'excelente pessoa', 'divertidíssimo' e 'generoso' em cena, entre outros bons adjetivos. No auge de seus 55 anos de carreira na TV, contudo, ele mantém a humildade ao saber que o elenco de O Sétimo Guardião - trama de Aguinaldo Silva em que ele vai interpretar o vião Olavo - também o acha um companheiro e tanto e muitos se espelham nele. "O fato de ser uma boa pessoa, de respeitar o próximo, de não ter inveja, aceitar a idade, aceitar a vida não deveria ser uma referência. Não deveria nem ser exemplo. É como todo mundo deveria pensar. Então fico constrangido", admite.


Quando se trata de vida pessoal, Tony mantém o jeito humilde. Casado há 49 anos com Lidiane Barbosa - com quem tem dois filhos, a advogada Andréa e o médico Rodrigo, e dois netos, Henrique e Gabriela -, o ator explica por que preserva sua intimidade. "Nossa vida pessoal basta para nós dois, nossos filhos, nossos netos e alguns amigos muito íntimos que nos frequentam. Essa é nossa vida, não tem complicação. Essa discrição não é forçada, é natural em nós", explica.



QUEM: Como será o seu personagem em O Sétimo Guardião?
Tony Ramos: Um homem pragmático. Muito rico, muito. Dono de empresas dentro e fora do país. Viúvo que cuidou da própria filha, que é a Laura (Yanna Lavigne) sozinho. Tem um amor absoluto por essa filha. É um homem que pensa demais no dinheiro.

Q: Ele é um vilão?
TR: O vilão clássico que o público está acostumado, aquele que faz maldades, não! Ele é um homem muito prático e poderá ser confundido com um vilão muitas vezes. Ele diz: 'dinheiro para mim é fundamental'. E a personagem da Lilia Cabral, que é a Valentina, fala: 'eu vejo que seus olhos brilham quando fala em dinheiro'. Ele responde: 'claro, é o melhor colírio que existe. Mas sabe por quê? Porque o dinheiro dá emprego para muita gente. Eu amo dinheiro e ele me dá mais poder'. Enfim! Ele é um homem contraditório. Assim como ele dá emprego para muita gente, ele é pragmático. Chega até a ser cruel com relação ao dinheiro. Se ele tiver que executar alguém que está devendo, executar no sentido da justiça e de tomar a empresa da pessoa, ele vai fazer. E é assim que ele ameaça a Valentina.

Q: Como você acha que o público vai reagir a esse papel?
TR: Ele não é um vilão que fica pensando em como ser maldoso. A vilania dele é de outro tipo. Como ele é um homem que ama o dinheiro, faz qualquer negócio e quem estiver devendo, ele põe e executa na justiça, ele vai ser tachado como o grande vilão. Mas, ao mesmo tempo, ele é de um amor com a filha única, que ele criou sozinho, que o espectador fica dividido. O espectador vai dizer: 'ele é assim como o dinheiro, mas ao mesmo tempo é um grande pai'. Por isso que é um personagem muito humano.

Q: É a sua primeira parceria com o autor Aguinaldo Silva?
TR: Sim, mas a gente namora há muito tempo. Nunca dava por questões de agenda. Teve várias novelas que ele pensou em mim para escalação, mas eu já estava ocupado em minissérie, novela. Mas agora deu certo. Está sendo ótimo.

Q: Recentemente, você completou 70 anos de idade. Que balanço faz da sua carreira nesse momento?
TR: 70 anos é uma bênção! Para mim, que acredito nisso, é uma bênção de Deus. É uma permissão de Deus eu estar aqui trabalhando, recebendo convite de autores, de diretores para continuar o meu trabalho. Fazendo cinema, teatro. Acabei de fazer um filme que vai estrear no início do ano que vem. Já estou na novela. Isso é uma dádiva! Poder estar aqui com essa idade, em um país que, lamentavelmente, quando a pessoa faz 40 anos fica difícil arrumar emprego. Acho que é fruto do trabalho desses 55 anos de carreira.

Q: O que é envelhecer para você?
TR: É saber envelhecer aceitando a velhice, aceitando suas idades. Não inventando modas. E principalmente, olhando ao seu lado e vendo que você está inteiro, com saúde, trabalhando e ganhando anos. Mais uma bênção de Deus.

Q: Ao longo dos seus 55 anos de carreira, você já fez vilão e mocinho. Que personalidade te agrada mais interpretar?
TR: Honestamente, talvez seja uma resposta óbvia demais. Mas é a que sempre acredito: um bom texto, uma boa ideia. O psicopata assassino que fiz em A Regra do Jogo, em 2015, é um personagem surpreendente, admirável. É isso! Textos e personagens que me surpreendam. É isso que me deixa feliz.

Q: Você é muito reservado em relação à sua vida pessoal. Foi uma opção sua ser mais discreto ao longo da vida?
TR: Foi naturalmente. Minha mulher é assim, eu sou assim. Nós não temos rede social, Instagram, Facebook. Não temos nada disso, mas sei que tem alguns falsos por aí. O que  posso fazer? Não que sejamos contra. Nós só não somos assim, é diferente. É uma questão muito simples, como matemática: 2 + 2 = 4. Nossa vida pessoal basta para nós dois, nossos filhos, nossos netos e alguns amigos muito íntimos que nos frequentam. Essa é nossa vida, não tem complicação. Essa discrição não é forçada, é natural em nós.

Q: Passar uma temporada no sítio continua sendo um refúgio do casal?
TR: Meu refúgio é ir para o sítio, ficar em casa mesmo, visitar alguns amigos, familiares do interior de São Paulo. Esse é o nosso refúgio.

Q: Você é sempre elogiado e lembrado como uma pessoa ótima entre os seus colegas. Como é ser essa referência?
TR: Isso aí é um perigoso. Fico muito constrangido. Não quero ser referência porque cada um é de um jeito. Tem pessoas que são mais tímidas, não são de falar muito, e poderiam ser referências também. Acho que cada um tem um jeito de ser. O fato de ser uma boa pessoa, de respeitar o próximo, de não ter inveja, aceitar a idade, aceitar a vida não deveria ser uma referência. Não deveria nem ser exemplo. É como todo mundo deveria pensar. Então fico constrangido, apenas isso. As minhas atitudes perante a vida não são para servir de exemplo. Elas são minhas. Se de alguma forma podem ajudar alguém, paciência. Vamos em frente!

Q: O que te tira do sério?
TR: É pessoa que é muito cheia de si, soberba. Pessoas que não respeitam o próximo. A soberba, a inveja, a intolerância, preconceito. Isso me tira do sério.....
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