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VITÓRIA 87FM

Juiz ordena a prisão de dois PMs que atiraram em carro roubado com refém e assaltante, em Senador Canedo...

30 NOV 2017
30 de Novembro de 2017
Magistrado também determinou o afastamento deles e de mais dois militares de todas as suas funções. Os dois ocupantes do veículo morreram.juiz Thulio Marco Miranda determinou a prisão temporária de dois policiais militares que atiraram várias vezes contra o carro conduzido pelo auxiliar de produção Tiago Messias Ribeiro, de 31 anos, que era feito refém no veículo (veja o vídeo acima), em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. Ele e o assaltante, que estava no banco do passageiro, morreram.
"Tais delitos ocorreram em circunstâncias de extrema gravidade e trouxeram fortíssimo abalo social, face ao possível envolvimento de agentes públicos responsáveis por zelar pela segurança e tranquilidade do povo", avalia o juiz, na sentença.
O crime ocorreu na noite de sábado (25). Tiago foi abordado pelo assaltante na chácara onde mora com a família, em Senador Canedo. Ele foi obrigado a entrar no carro, um VW Gol, e dirigir para o assaltante, que entrou no banco do passageiro. O tiroteio ocorreu próximo a um posto de gasolina.
A decisão foi tomada na quarta-feira (29), mas divulgada na tarde desta quinta-feira (30). Além da detenção de Paulo Márcio Tavares e de Gilmar Alves Dos Santos, o magistrado também ordenou o afastamento deles e dos militares Solimon José Martins e Flávio da Penha Gomes de todas as suas funções.
"A permanência dos representados no exercício de suas funções, além de implicar no descrédito de sua própria instituição e questionamento dos trabalhos que vierem a realizar, não impediria a repetição da mesma conduta, já que tudo ocorreu em plena luz do dia e debaixo de câmeras de segurança", completa o magistrado.
O pedido foi feito pelo Ministério Público em parceria com a Polícia Civil. O promotor de Justiça Leandro Murata, autor da ação, justificou a solicitação. “Fizemos os dois pedidos [ de prisão e afastamento] para garantir a melhor apuração dos fatos, para que não haja nenhuma intervenção, e a garantia da ordem pública”, defendeu.

Advogados dos quatro policiais militares, Tadeu Bastos e Ricardo Naves informaram ao G1 que os clientes ainda não foram notificados da decisão. "Assim que a defesa tiver acesso à decisão tomará todas as medidas cabíveis para tentar reverte-la", disse Bastos.
A própria Corregedoria da Polícia Militar havia a pedido a prisão dos quatro envolvidos na ação. O pedido foi feito na última terça-feira (28) à Justiça Militar, mas, segundo a assessoria de imprensa doTribunal de Justiça de Goiás, ainda não há um parecer sobre a solicitação da corporação até as 15h desta tarde.
No mesmo dia, o comandante da corporação, coronel Divino Alves, admitiu que houve um erro na ação e que os agentes envolvidos já estavam afastados das ruas.
Vídeos
Imagens do sistema de monitoramento do posto de combustíveis registraram quando o carro, seguido por um veículo da PM, foi cercado. O condutor freiou, e dois policiais começaram a atirar. Em seguida, eles rodearam o veículo e efetuam mais disparos. Logo depois, um dos agentes abre a porta do passageiro, onde o assaltante estava, e o arrasta para fora do automóvel.
Já uma câmera de monitoramento de Senador Canedo flagrou quando os milirates retiraram Tiago do veículo. Ele foi colocado no porta-malas do veículo da PM.Enquanto isso, um outro policial entrou no VW Gol pela porta do passageiro, se abaixou e atirou várias vezes contra o para-brisas do veículo.Fraude processual
O Ministério Público acredita que os disparos foram exclusivamente com o intuito de matar os dois homens. "É uma verdadeira execução e, depois os policiais militares alterando a cena do crime para tentar se livrar do ato penal", opina.
Para a Polícia Civil, que também investiga o acaso, as imagens indicam que os PMs alteraram o local do crime. "Infelizmente, retrataram uma fraude processual, não há como negar, mas o inquérito precisa ser apurado além disso", disse o delegado responsável pelo caso, Matheus Noleto.
O investigador ressaltou que o inquérito visa apontar se realmente houve um confronto, e os militares agiram em legítima defesa, ou se ocorreram dois homicídios.
"É importante deixar claro que o objetivo da Polícia Civil é chegar à verdade dos fatos de maneira isenta e justa. A eventual conduta de alguns policiais militares não tem a capacidade de macular a honra da conduta de uma instituição bicentenária como a Polícia Militar, composta majoritariamente por homens e mulheres corretos", disse.Uma mulher que estava no momento dos tiros revelou, com exclusividade à TV Anhanguera, que a situação já estava normalizada quando um policial fez outros disparos.
”Estava todo mundo meio que acalmado com a situação, tentando ver o que tinha acontecido realmente, e aí aconteceram mais disparos”, contou a testemunha.
‘Por que atiraram nele?’
Advogado da família de Tiago, Éder Porfírio Muniz disse que está acompanhado a investigação e espera que os fatos sejam esclarecidos o mais breve possível. "A única coisa que queremos falar é que o Tiago é uma pessoa honrada, pai de família, não é bandido. Estamos aqui em busca da honra dele, foi morto de forma brutal e estamos em busca da verdade", afirmou.
Mulher de Tiago, a dona de casa Rowena Gonçalves questiona o motivo do marido ter sido baleado. Na segunda-feira, ela disse que se lembra do terror vivido momentos antes do marido ser levado por um assaltante, que queria levar o carro, mas não conseguiu dirigir e pediu para que Tiago o levasse.
Logo após o rapto, a mulher conta que ligou para o 190 e descreveu a situação. “Eu só quero saber: Por que atiraram nele? Uma vez que eu descrevi claramente como ele era, qual era a situação. Ele levou um tiro no peito. Eu liguei pedindo um socorro, e não para que matassem ele. Eu estou com um filho que não está conseguindo dormir à noite, ele treme a noite inteira. A minha filha está revoltada porque colocaram na mídia que ele era bandido”.
Na quarta-feira, o coronel Divino Alves, recebeu a família do auxiliar de produção. "Ela [a ação] foi repleta de erros da minha corporação, da PM, e eu assumo, diante de vocês esses erros que foram cometidos. Sei que o fato de eu assumir esses erros não vai trazer o Tiago de volta", disse.

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